O Primeiro Agregado - Parte 5

O Primeiro Agregado - Parte 5

“Portanto, se diz que a matéria da natureza é o verdadeiro vazio, o mesmo Sutra declara a água da natureza é o verdadeiro vazio, o verdadeiro vazio é a água da natureza. E tudo, todos os elementos são assim, cada um é o verdadeiro vazio, e o verdadeiro vazio é cada um dos elementos. Se tomarmos consciência de que a terra, a água, o fogo e o ar, originalmente, são o Buda, não somente o meu corpo é originalmente o corpo de essência, Dharmakaya, mas de igual modo o céu, a terra, o espaço e todo o universo são a substância do maravilhoso corpo da essência, o Dharmakaya. Quando essa iluminação se realiza diz-se que todos os dharmas, todos os fenômenos, têm um caráter verdadeiro, todos os seres e a terra se convertem em Buda. Não somente…”.

Isso que é dito é muito interessante, porque esse é um texto de 400 anos atrás. Continuemos: “todos os seres, senão também o espaço, é substância do corpo da essência, e que, por engano, o temos considerado como espaço. Quando essa iluminação for realizada, a ilusão sobre o espaço desaparece e se compreende que todos os fenômenos estão unificados no absoluto, por isso o Surangama Sutra declara: ‘se uma pessoa realiza a verdade e retorna à origem, o espaço das dez direções desaparece de repente’. Portanto, o Sutra do conhecimento supremo declara: universo sem limites se revela na iluminação”.

É interessante que no início do século XX, com a teoria da relatividade se declara que o espaço e o tempo são um conjunto indissociável. Dogen, quase 800 anos atrás, declarou que o tempo é um ponto e que não corre para frente ou para trás, mas sim um ponto onde tudo está contido, o passado e o futuro estão contidos. É o mesmo que nós vemos sendo dito no Surangama Sutra, o comentário de que o espaço também é assim. Esses textos eram absolutamente incompreensíveis antes do século XX. Nós não podíamos nem imaginar, pareciam simplesmente loucos, olhados do ponto de vista de uma física newtoniana, seriam loucos. Ideias onde o tempo transcorre como uma linha entre passado e futuro, e onde o espaço tem em cima, embaixo, as dez direções, as dez direções que sempre se citam nos textos budistas. As dez direções são as direções cardeais mais em cima e embaixo, pensando em três dimensões.

[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

(CONTINUA)