Breve História do Zen

Apresentamos abaixo uma breve história do principal patriarca do Zen da Escola Soto

Myoan Eisai


Myoan Eisai

Myoan Eisai (1141-1215), um monge da seita budista Tendai, estava instatisfeito com o ensinamento do Budismo no Japão, viajou até a China para conhecer o “Verdadeiro Budismo”.
Myoan Eisai (明菴栄西) foi ao monte Tiantai na China por duas vêzes, em 1168, e novamente em 1186. Lá ele aprenderu o Budismo autêntico da escola Chan de budismo Chinês.
Lá, empreendeu rigoroso estudo da seita Linji do budismo Chan (Rinzai em japonês) sob a instrução do mestre Xuan Huaichang (Koan Esho em japonês).
Ele foi o primeiro monge japonês a receber o selo Inka, uma certificação oficial de alto nível reconhecendo-o como um professor de budismo Chan.
Em 1191, Eisai retornou ao Japão trazendo os ensinamentos Rinzai e a prática da cerimônia do chá, que se tornou inicialmente um auxiliar de meditação para os monges praticantes.
Eisai fundou o primeiro tempo Zen do Japão, o Shofuku-ji, na remota região de Kyushu. Ele inicialmente evitou a região de Kyoto, a capital, devido à forte oposição das seitas mais estabelecidas, como as seitas Shingon e Tendai.
Posteriormente, Eisai passou o restante de sua vida ensinando e divulgando o Zen budismo nos principais centros culturais do Japão: Kyoto e Kamakura.

Dogen Zenji


Dogen Zenji

Dogen Kigen (1200-1253), o maior mestre Zen do Japão, iniciou sua vida espiritual ainda jovem, como monge da escola Tendai de Budismo no monte Hiei, próximo a Kyoto.
Dogen Kigen (道元希玄) se sentia perturbado pelo conceito Tendai de “iluminação original” que afirma que Buda ensinou que a iluminação é inerente a todos os seres. Dogen questinava-se se era assim, então por que todos os Budas (do passado, presente e futuro) buscavam a iluminação se já estavam inerentemente iluminados?

Não sendo capaz de encontrar resposta dentro da escola Tendai, foi estudar o Zen Rinzai com o discípulo de Eisai, Myozen. Depois de algum tempo, Dogen ficou insatisfeito com a forte dependência de Koans da tradição Rinzai.

Em 1217, em busca de uma resposta, Dogen viajou para a China, o centro budista da época, da mesma forma que Esai o fez anteriormente. Buscando de templo em templo, ele finalmente encontrou mestre Rujing (Ju Ching em português) (Nyojo em Japonês), o 13º patriarca da linhagem Caodong do budismo Chan. Mestre Nyojo ensinou-o que o budismo autêntico ~e shikantaza (只管打坐), ou seja, simplesmente sentar-se em silêncio meditando no momento presente.

Assim, Dogen não apenas encontrou a resposta para a questão que o atormentava, mas também a tutela de seu mestre, tendo sido capaz de alcançar a iluminação durante o Zazen. Dogen continuou seu treinamento na China por dois anos antes de se submeter ao Shiho, uma série de cerimônias que envolvem a recepção da transmissão completa do Dharma de mestre Nyojo.

Com 28 anos de idade, Dogen retornou ao Japão para estabelecer e divulgar o budismo Caodong, que no Japão veio a ser conhecido como Soto Zen. Em 1246 ele fundou o tempo de Eihei-ji, o principal templo da seita Soto, em Ichizen. Dogen passou o restante de sua vida ensinando e escrevendo em Eihei-ji. Sua obra prima, o Shobogenzo, é estudado até os dias de hoje.

Soto Zen (Soto-Shu)

A escola Soto é a principal escola de Zen Budismo. Foi inicialmente fundada na China como a linhagem Caodong da escola Chan de budismo, e posteriormente migrou para o Japão com Dogen Zenji, tendo sido denominada então Soto Zen.
Na escola Soto (曹洞宗) do Zen, o Zazen, ou meditação sentada, é o centro da prática. Zazen foi o veículo do despertar de Buda. Shikantaza, ou “apenas sentar-se” é a essência da Soto Zen.

Praticantes da escola SotoZen buscam a experiência vívida de cada momento, estando ativamente conscientes de cada ação aqui e agora. Como ensinado pelo mestre Taisen Deshimaru, “O Zazen não possui objeto, não possui propósito, apenas nos traz de volta a nós mesmos.”

Mestres da Escola Soto Zen também não descartam o uso de Koans fora da prática do Zazen. Menos formal que na escola Rinzai Zen, os koans são dinâmicos e representam as respostas espontâneas dos mestres para uma questão, ao invés de uma questão predeterminada. Tudo pode ser um Koan, a vida em si mesma.

O Satori ou Iluminação dentro da escola Soto, também não possui uma característica especial, não é um estado alterado de consciência. É apenas um retorno a condição humana original. Pode ser comparada à consciência de um bebê recém-nascido, não ainda contaminada em nenhuma forma. Uma consiência pura e em completa harmonia com o cosmos e com o universo.