O Sermão de Huineng - Parte II | Monge Genshô

O Sermão de Huineng - Parte II | Monge Genshô

(…) Prossegue Huineng: “se não tomais refúgio em vossa própria natureza, não encontrareis refúgio em nenhuma parte. Agora vou expor a lei da perfeição da sabedoria, Prajna, que conduz à outra margem, Paramita, a fim de que cada um de vós possa chegar a ela. Escutai, pois, com atenção. Maha Prajna Paramita é um termo sânscrito que veio da Índia com o budismo, não se trata de pronunciar essas palavras, mas sim de pô-las em prática. Recitar sem praticar é criar uma quimera. Por que dizemos Maha? Maha significa grande, a capacidade do espírito é tão extensa como um espaço vazio. Vacuidade não quer dizer nada. O vazio da mente não significa sua aniquilação, não cometais nenhum erro a este respeito. O vazio ilimitado do espaço contém o sol e a lua, todas as estrelas e a Terra, todos os seres vivos e os seis mundos, o Samsara, o céu, o inferno, todos estão compreendidos na vacuidade. Assim, é a vacuidade da natureza humana”.

Lembrem que quando falamos em “vazio” no budismo sempre queremos nos referir ao fato de que não existe um eu inerente em coisa alguma, trata-se de vazio de um eu separado.

O vazio de um eu implica na interconectividade e na interdependência de todas as coisas, portanto tudo é vazio, vazio de um eu, mas o vazio não é um nada. E isto pode causar confusão porque a palavra vazio tem um significado de ausência em português. A palavra em sânscrito era shunya.

Teishô proferido por Meihô Genshô Sesnei, Daissen-virtual, março/2002.