O sermão de Huineng - Parte I | Monge Genshô

O sermão de Huineng - Parte I | Monge Genshô

Hoje prosseguiremos com o grande sermão que foi pronunciado pelo sexto patriarca depois do relato de sua vida, que consta no Sutra da Plataforma. Esse sermão foi realizado num monastério e lembrem-se que estamos aqui narrando uma história que foi preservada através dos séculos e que ocorreu próxima do ano 700, com Huineng, o sexto patriarca.

Nesta parte do sermão ele aborda então o Maha Prajna Paramita, a perfeição da grande sabedoria. “Benévolos ouvintes, a sabedoria do despertar é inerente à nossa natureza”, portanto cada um de nós tem a natureza do despertar. muitas vezes eu tenho dito que a condição para despertar é estar dormindo e portanto todos nós que estamos mergulhados em sonhos de ilusões e perdidos nessas mesmas ilusões e sonhos fantasiosos, nós temos a condição de despertar. Porque a condição básica para despertar é simplesmente estar dormindo.

Prossegue Huineng: “se não conseguimos vê-la é por causa das ilusões produzidas por nossa mente, desde o ponto de vista da natureza de Buddha não existe nenhuma diferença entre um ser desperto e um ser corrente”. Salvo o fato de que um conhece isto e o outro ignora. Por isso, devemos recorrer às instruções dos despertos se queremos conhecê-la. O Sutra diz que é necessário buscar refúgio no Buddha que está em nós. Não diz que temos que tomar refúgio em outros distintos dele, então essa nossa natureza que permite a nós despertar é a natureza essencial para a qual devemos correr. O esclarecimento não está fora de nós, não está nos mestres, nem nos Buddhas e em quem quer que queiramos ver fora de nós. A natureza do despertar está dentro de nós. Tudo que um mestre pode fazer é indicar caminhos, orientar, apontar para a própria experiência, é agir como um guia no caminho que diz “por este caminho você chega na fonte, ande para cá”. Mas é você que tem que caminhar e quando chega à fonte é você quem tem que beber de sua água. O mestre não pode fazer nada por você além de criticá-lo, de instá-lo para que ande e que consiga chegar até a fonte. (continua)

Teishô proferido por Meihô Genshô Sesnei, Daissen-virtual, março/2002.