Os Cinco Agregados | Monge Genshô

Os Cinco Agregados | Monge Genshô

Pergunta: O senhor poderia falar sobre os cinco agregados?
Genshō Sensei: Contato, percepção, sensação, formação mental e consciência. A
consciência é produto do funcionamento dos agregados juntos. É por isso que você diz:
“eu sou”. Do ponto de vista do budismo, um dia um robô com inteligência artificial pode
vir a dizer o mesmo, e não há qualquer problema com isso, embora não saibamos
realmente se isto é possível, visto a inteligência ser uma coisa e consciência outra. Então
pode ser que alguém pergunte: “Monge, como o senhor explica aqui este meu robô que
acabou de dizer ‘penso, logo existo’?”, e eu perguntaria se seu robô chama-se Descartes (risos).

Este robô atingiu tal complexidade que diz “eu sou, eu tenho formações mentais e atingi
o ponto de ter consciência”. Como o budismo poderia explicar isso? Carma. Isso é
manifestação cármica, e não há qualquer problema nisso: podemos admitir que é
manifestação. Mais cedo ou mais tarde, nós vamos chegar a esse tipo de problema, e as
religiões terão problemas seríssimos para dizer se ele é ou não é um ser, assim como no
passado existiram discussões sobre se os escravos tinham alma ou não, ou como vemos
que até hoje existem seitas que dizem que só os homens têm almas, as mulheres não.
Para o budismo é o contrário: até os cães têm natureza búdica. Todos podem ter
consciência e um dia despertar, todo o universo é assim. É assim que o budismo
pensa, o budismo não exclui. Quando dizemos “salvar todos os seres”, não pensamos
somente nos seres humanos, todos os seres nos interessam, todos os sofrimentos nos
interessam, não somente os humanos. Então temos perspectivas diferentes no budismo.
Antes que alguém pergunte: as mulheres no budismo, desde 2.600 anos atrás, têm as
mesmas condições de se iluminarem, de serem mestres, sacerdotes e tudo mais, assim
como os homens. Nunca houve essa distinção que é frequente até hoje no nosso
universo. A maioria das organizações religiosas diferem e tratam com privilégios os
homens, ou, em alguns casos, privilegiam as mulheres e descartam os homens, isto é
fenômeno cultural no budismo, e não tem apoio na tese original de não distinção. Isto é
acreditar na discriminação e na diferença. O budismo não acredita na mente
discriminativa.