Não existe um fim | Monge Genshô

Não existe um fim | Monge Genshô

Pergunta: Durante este último zazen presenciei a morte de um inseto que estava desesperadamente tentando sair da janela. Isso me fez pensar o quanto a vida é efêmera. Já que a vida pode acabar a qualquer momento, por que a necessidade de focar na prática de zazen?

Monge Genshō: Essa vida é efêmera sim, mas ela é continuidade de uma longuíssima cadeia de vidas. Para o universo seu nascimento e sua morte não são importantes. Até para a própria vida da humanidade sua vida não é importante.

Você é continuidade de vidas que começaram 2,5 bilhões de anos atrás e vieram se transformando, isso nunca cessou. Você é o final de uma longa cadeia de vida, só se você não tiver filhos é que essa cadeia se interromperá agora, mas para a humanidade isso também não tem muita importância, porque as vidas vão continuar. O seu karma também vai continuar. Cada palavra que foi dita, cada ação que foi feita, todas as repercussões vão continuar alimentando essa longuíssima cadeia de eventos.

O término de uma vida não é o término da vida, porque não somos nós que vivemos a vida, a vida é que nos vive. A vida continua em múltiplas formas.

Então você pode pensar que existe um fim, mas não existe um fim. É como em um círculo, onde cada ponto dele é início e é fim. Se você compreender que cada ponto é início e também é fim, então irá entender que não tem sentido falar em fim, apenas tem sentido falar em continuidade.

Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei, novembro de 2019 – Concórdia/SC.