As Várias Formas de Despertar

As Várias Formas de Despertar

Gostaria, para finalizar o ciclo das histórias da Transmissão, contar a terceira e última história: Tao-hsin, 31º patriarca, 4º patriarca chinês, foi ao mestre Zen Seng-tsan, e, prostrando-se ante o venerável, disse-lhe: 

– Imploro tua grande compaixão para que me mostre o caminho da libertação. 

Seng-tsan, que era o patriarca, perguntou: 

– Quem te escraviza? 

– Ninguém – respondeu Tao-hsin.  

– Por que então inquiriu o patriarca? Buscas a libertação? 

E estas palavras bastaram para despertar Tao-hsin, que se tornou sucessor de Seng-tsan. 

As três histórias são diferentes, não são?  A primeira, que é a história de Mahakasyapa, trata de um reconhecimento que estava maduro: Buda vê o sorriso de Mahakasyapa e de pronto já sabe que Mahakasyapa havia realizado uma iluminação, uma realização espiritual profunda, e a reconhece na frente de todos. Por causa disso Mahakasyapa é o primeiro sucessor de Buda, o primeiro líder da ordem depois de Buda. 

No segundo caso, há uma luta e uma negativa do mestre que não reconhece a iluminação do aluno e o aluno vai tentar atingi-la, enxergando então a origem não originada de todas as coisas. Ele volta até o mestre e então pode mostrar-se a ele e receber um reconhecimento. 

E, no terceiro caso, o aluno chega até o mestre com uma pergunta. Ele está à beira da realização, está na beira do precipício, e faz uma pergunta: “Qual é o caminho para liberação?”, seguida da pergunta do mestre: “Mas quem está te escravizando?”, do que ele responde: “Ninguém!”. 

Então quem me escraviza? Quem me prende? Eu mesmo. Neste momento, com essa bofetada verbal ele acorda, e este momento é um momento de um Kenshô, de uma grande realização espiritual, de um Kenshô profundo, capaz de revolver os céus e abalar a Terra. É neste momento que ele acorda, e o mestre, percebendo, dá-lhe a transmissão, sem que ele tivesse dito mais nada, simplesmente porque ele despertou naquele momento.

N.E.: transcrição de palestra realizada por Monge Genshô Oshô em Florianópolis, novembro/2016.