A Santidade Cheira Mal

A Santidade Cheira Mal

Aluna: Sensei, é interessante que ao mesmo tempo que enfatizamos as formas e condutas na sangha, o Caminho Óctuplo é uma amostra, há a declaração também de que no Zen não queremos formar santos.

Monge:É verdade. No Zen, dizemos que a santidade cheira mal. Então a santidade é como se fosse um caminho intermediário. Alguém já se comporta como um santo então nós olhamos para isso com uma reserva. Porque nos próprios dez passos do boi, que são dez passos que contam o caminho até a iluminação, lá pelo quarto, quinto passo, já é a iluminação. Mas uma iluminação cheia de defeitos, cheia de problemas. E quando a iluminação plena é atingida, no oitavo passo, ainda existe um passo posterior, o nono, que é representado por um círculo completamente vazio. Não há mais coisa alguma. E no décimo passo, a figura é um homem entrando num mercado e carrega uma garrafa de vinho nas costas para beber com os outros homens. E o verso diz: “Junto aos homens vulgares ele fala de vulgaridades. Mas a seus passos, árvores secas florescem.”, porque ele deixa o céu da iluminação, a montanha, desce até o mercado, pois seu objetivo é ajudar os outros homens. Então ele se mistura. Ele não parece um santo. Mas a seus passos, árvores secas florescem. Esse é o nível mais alto.
[N.E.: transcrição de trecho de palestra realizada pelo Monge Genshô Sensei]