Trecho da palestra proferida por Meihô Genshô Rôshi aos colaboradores da Daissen Virtual, em 08 de novembro de 2025. A palestra foi gravada, e sua transcrição, edição e correção foram realizadas com auxílio de I.A., por praticantes e alunos de Genshô Rôshi.
Uchiyama Rōshi diz que em meio a tais enganos, a essência do caminho de Buda é dar-se conta que os pensamentos discriminatórios não são mais que secreções da nossa mente. Assim, podemos abrir mão do pensamento e levar a cabo a condução da vida de acordo com o nosso cenário, que cambia incessantemente.
Isso me faz lembrar que, várias vezes nos últimos tempos, alguém veio e me disse, mas mestre, ao não se defender das acusações que lhe fazem ou das calúnias, ao não contraditar, o senhor está deixando que isso exista, não é ingenuidade e inocência da sua parte? E eu tenho respondido: sim, eu estou consciente disso, porque, através dos meus quase 80 anos de vida, tive muitas e muitas oportunidades. Só como consultor, trabalhei em 60 empresas diferentes. Trabalhei como executivo, diretor em empresas de porte.
E vi o mal e sei como ele funciona e como funcionam as traições, as mentiras, as calúnias. Isso todo tempo existe. Mas como monge budista, eu não quero ser aquele que eu fui no passado, para quem a regra era nenhuma chance. Primeiro engano, demissão. Primeira traição, nunca mais. Agora estou trabalhando como monge.
Minha tarefa não é essa. Minha tarefa é dar a chance. Então, eu tenho respondido: sim, eu estou consciente disso, mas eu quero ser inocente. E quando alguém perguntar sobre isso, vocês podem responder, Monge Genshô disse que ele quer ser ingênuo.
Esta mudança é preciosa para mim. Eu me lembro de uma vez demitir um homem e ele disse para mim, o senhor é implacável. Ele tinha razão. E eu disse sim, mas é em benefício da estrutura e da empresa e você vai embora agora. Como monge, não é assim.
No meu papel como monge, é diferente. Alguém fez algo errado, eu fecho os olhos. Alguém parece que vai agir errado, eu fecho os olhos. E digo a ele que acredito nele. E dou a ele todas as chances. Porque eu não quero ser aquele implacável. Eu quero ser como o Ryokan, como o padre de Os Miseráveis. São essas pessoas que são um modelo. É por isso essa minha atitude.
Continua Dogen: quando a mente está enganada, é girada pela flor do Dharma. Quando a mente está realizada, gira a flor do Dharma. Quando o coração desperta, a flor do Dharma se põe em marcha.
Desde nossa mente enganada, considera o mestre Denshō Quinteiro, tratarmos de acomodar as coisas à nossa conveniência. Inclusive queremos tomar dos ensinamentos somente aquilo que nos convém.
Mas quando despertamos para a realidade da interdependência e atuamos em concordância com o Dharma, ele se manifesta através de cada fenômeno. Assim, ao despertar, somos coparticipes no movimento da roda do Dharma. Somos Buda despertando junto com todos os seres.
Girar o Dharma também tem a ver com um único grande assunto pelo qual os budas aparecem no mundo. É para abrir os olhos dos seres, para que possam ver a realidade como a veem os budas. Quando um buda desperta, põe a girar a roda do Dharma.
Continua.
Trecho da palestra proferida por Meihô Genshô Rôshi aos colaboradores da Daissen Virtual, em 08 de novembro de 2025.




