Trecho da palestra proferida por Meihô Genshô Rôshi aos colaboradores da Daissen Virtual, em 08 de novembro de 2025. A palestra foi gravada, e sua transcrição, edição e correção foram realizadas com auxílio de I.A., por praticantes e alunos de Genshô Rôshi.
Continua…
Qual é a opção realmente do Dharma? Qual foi a opção de Buda?
Explica Jôken Sensei no texto publicado no Budismo Hoje:
“A nossa opção é o Dharma. Está ligado às grandes questões.”
Nós podemos dizer: somos contra a violência, somos contra a discriminação, somos contra a homofobia, o machismo, a discriminação de qualquer tipo entre os seres. Nós só temos pessoas na Sangha, não temos homens, mulheres, gays ou não, não importa. Não é essa a nossa atitude.
Nós admitimos todas as pessoas, porque todas elas são vítimas do sofrimento, e o Dharma está voltado a diminuir o sofrimento.
Isso não quer dizer, porque algumas pessoas já se apressaram a contestar Jôken Sensei, dizendo que não, que o Dharma tem que ter uma posição, que quando um monge faz uma palestra para empresários, por exemplo, ele está chancelando o mundo material. Não é verdade.
Ele está tentando diminuir o sofrimento pelos meios possíveis, tentando usar os meios hábeis para diminuir o sofrimento no mundo. Mas não faz parte do Dharma de Buda aliar-se a qualquer corrente de esquerda ou de direita. Não é isto.
O que o Dharma de Buda pode dizer é: somos contra toda a violência, contra todo o silenciamento das pessoas, somos contra as perseguições, somos contra as coisas que causam sofrimento, somos contra a discriminação, somos contra a imposição, por meios econômicos ou midiáticos, das opiniões de quem quer que seja.
Somos a favor de uma liberdade plena que permita às pessoas pensarem livremente e aprenderem o Dharma, mesmo que tropeçando muitas vezes em suas próprias ideias. Por que não?
Mas isso não quer dizer que as pessoas não podem ter suas opiniões e não podem ter suas posições políticas. Pelo contrário, devem ter.
Os praticantes são seres políticos, são homens, e não tem nada de mais que um deles alie-se a um partido ou a uma corrente ideológica qualquer, enquanto ele acha que aquilo está certo. Até o momento em que se desilude, muda de ideia, muda para outra corrente, não importa.
Dentro da comunidade, nós não discriminamos as pessoas por suas ideias e não diremos à comunidade que apoie esta ideia ou aquela ideia.
Você é livre para ter suas ideias e seguir aquilo que você acha como cidadão, mas não traga as posições políticas, partidárias ou discriminatórias, quaisquer que elas sejam, para dentro da comunidade, quando estamos praticando o Dharma de Buda.
Eu posso ter qualquer ideia, qualquer posição. Essas ideias cambiarão e mudarão com o tempo.
Agora, estou falando do Dharma, o Dharma é o mesmo há milhares de anos, e o Dharma está voltado para a diminuição do sofrimento, diminuição da ilusão e do engano. Não está ligado a apoiar esta ou aquela corrente ou ideologia. Elas são transitórias, mudam através dos tempos, sofrem embates, a situação do mundo muda, as posições mudam.
O Dharma de Buda não está ligado a isso. Então, aqueles que criticaram Jôken Sensei, tendo a ideia de que tem que haver uma posição, estão errados. O Dharma não vai se aliar a qualquer posição.
Mas também o Dharma de Buda não vai dizer a ninguém que siga isto ou siga aquilo. Todos são livres para seguir o que pensarem. Não tragam para o Dharma de Buda discussões ideológicas, porque elas não cabem dentro do Dharma de Buda.
E leiam com atenção e devagar o texto de Jôken Sensei, que é muito rico e muito bem embasado na história de Buda e nas atitudes de Shakyamuni Buda.
Espero que isso torne clara a nossa posição e pensamento. Em nenhum momento nós assumiremos nenhuma posição.
E também, por princípio, todos os extremismos, a meu ver, são distorções. Assim, prestem muita atenção às ideias que são veiculadas, para que nós nos mantenhamos sempre equilibrados, sem dizer: “Isto será assim para sempre”, “Esta ideia é certa e as outras são erradas”. Esse tipo de posição é a posição que leva ao engano.
Tudo, na verdade, no mundo é mais ou menos. Tudo é um pouco certo, um pouco errado. Nesse aspecto, certo; naquele aspecto, errado.
Certo hoje, errado amanhã. Errado hoje, certo amanhã. O mundo é um fluxo contínuo de mudança.
Tanto o apego a uma ideia quanto a aversão a uma ideia, quanto a confusão acerca de tudo, caracterizam a ignorância. E a ignorância é a fonte primária de todo o sofrimento, como ensina a tese da originação dependente, tão preciosa para o budismo.
Um texto diz: nenhuma coisa existe por si mesma. Seu reflexo no espelho existe ou só existe quando você está na frente do espelho? Como é que nós podemos dizer que uma coisa realmente existe, se todas as coisas são dependentes umas das outras?
A verdade é que somos profundamente dependentes de tudo, e nós mesmos só existimos em dependência dos outros, das coisas, do mundo, das plantas, da terra. Cada coisa depende de outra, e isto quer dizer: nenhuma coisa existe por si mesma, nenhuma coisa tem uma existência absoluta. Tudo só tem existência dependente. Continua…





