Trecho da palestra proferida por Meihô Genshô Rôshi aos colaboradores da Daissen Virtual, em 15 de novembro de 2025. A palestra foi gravada, e sua transcrição, edição e correção foram realizadas com auxílio de I.A., por praticantes e alunos de Genshô Rôshi.
Continuando.
Nós vamos hoje continuar com os comentários do Mestre Denshō Quintero sobre o Bendōwa (辨道話), o primeiro capítulo do Shobogenzo, de 75 capítulos.
Uchiyama Roshi diz que um bodhisattva é alguém que vê o mundo com olhos de adulto e cujas ações são as de um verdadeiro adulto. Alguém que se responsabiliza por si mesmo e pelos demais, em lugar de esperar que se ocupem dele. Quando os Buddhas, diz Dogen, são realmente Buddhas, não necessitam perceber que são Buddhas.
Assim, são Buddhas iluminados e continuam se manifestando como Buddhas. Em seus comentários sobre essa passagem, Uchiyama Roshi diz: as pessoas costumam pensar na iluminação, ilusão ou os Buddhas, seres vivos, como coisas separadas e relativas, os separam em duas categorias e dizem: até determinado ponto são seres humanos enganados. Depois desse ponto se convertem em Buddhas iluminados. No entanto, a vida não tem esse limite. A iluminação e o engano, os Buddhas e os seres vivos são em si mesmos a realidade da vida antes da divisão que fazemos em nossa mente enganada.
Quando somos o Dharma mesmo e estamos vivendo em harmonia com a realidade absoluta, não há separação entre realidade absoluta e nós. As condições no mundo criam o indivíduo e o indivíduo cria as condições do mundo. O observador da forma à realidade.
O físico Erwin Schrödinger diz: o mundo é uma construção de nossas sensações e memórias. Isso é muito difícil de perceber e é o tema central da palestra de hoje. O fato de que nós pensamos que vemos o mundo, mas nós vemos apenas uma fração do universo.
Uma fração extremamente pequena. Mesmo agora quando nós estamos olhando, nós vemos apenas o espectro da luz visível e todo o resto nos escapa. Tudo o que está abaixo do infravermelho, tudo o que é acima do ultravioleta, inclusive este, são invisíveis para nós, nós não vemos.
E essas faixas do espectro eletromagnético são muito mais amplas do que a luz visível. A parte visível do espectro eletromagnético é uma fração muito pequena de tudo o que vai das ondas de rádio até os raios gama. E nós não percebemos nada disso.
Tudo isso nos escapa. Assim também os sons. Não vamos ouvir os sons abaixo de determinadas frequências e não vamos ouvir os sons acima de determinadas frequências.
Aliás, quando você chega na minha idade, alguns sons em determinada frequência que todos estão ouvindo, você não ouve mais. E aí quando as pessoas falam, às vezes você não entende, porque seus ouvidos não captam aquelas frequências. Você vai ao médico e ele diz: é, pois é. É isso.
A única coisa que podemos fazer é quando fica um pouquinho mais sério, a gente coloca um aparelho de audição. Então, o que importa aqui na nossa observação é que o mundo que nós vemos é extremamente limitado. E não ouvimos, nem vemos, nem percebemos a enorme maioria das coisas que passam por nós.
Um exemplo que tenho dado nas palestras é, você está sentado aqui agora. Aqui na sala onde você está, estão passando bilhões e bilhões de fotos, mensagens e tudo mais.
Elas estão passando aqui. Tanto é verdade que estão passando aqui, que você pode sintonizá-las com um aparelho. Você pega esse aparelho, o seu celular, e pode acessar alguma coisa.
Uma de cada vez, mas de qualquer jeito, essas coisas todas estão disponíveis, estão passando aqui. Elas existem aqui. Você sabe que elas existem.
Sabe que todas as imagens estão passando, que todas as palavras estão passando. Você escolhe uma fração infinitesimal da realidade para tomar conta dela, para acessá-la. A mesma coisa você faz com o seu celular.
Você abre o seu celular e se conecta com um amigo e vê o que ele postou. Aquela postagem é uma de bilhões de postagens. Mas você não as viu, você escolheu uma.
Então nós, quando estamos aqui agora, estamos escolhendo uma fração da realidade. Schrödinger, que é um físico famoso, principalmente pela anedota do seu gato, o gato Schrödinger, que você não sabe se está vivo ou morto, o gato dentro de uma caixa. Ele diz que o mundo é uma construção de sensações, percepções e memórias, e recordações.
Você constrói um mundo particular. De acordo com a sua mente, você constrói um mundo diferente. Pode ser que o seu mundo veja o mal com grande facilidade.
Continua.
Trecho da palestra proferida por Meihô Genshô Rôshi aos colaboradores da Daissen Virtual, 15/11/2026.





